O ACERVO
O ACERVO
O acervo hoje conta com mais de 279.000 exsicatas, sendo o segundo maior do Estado de São Paulo e o sétimo do Brasil. Com inúmeras coletas ainda em processamento e com a incorporação em andamento de mais de 45 mil espécimes recebidas como doação do Centro de Pesquisas de História Natural (CPHN), as quais compunham o acervo do botânico Goro Hashimoto, o Herbário SPF passará à quinta posição entre os herbários do Brasil, com mais de 300.000 exsicatas.
A relevância do acervo do SPF também é demonstrada pelos cerca de 1.200 tipos nomenclaturais (espécime vegetal específico que é designado no momento da descrição de uma espécie nova) depositados aqui.
O repositório do SPF também reúne 23 mil registros de algas marinhas, sendo considerado uma das maiores coleções da América Latina, 325 fotografias, 420 materiais em meio líquido, 460 registros em carpoteca, ou seja, uma coleção especializada de frutos e sementes secos e nove mil registros em xiloteca.
Ademais, a coleção tem especial representatividade para as famílias das canelas-de-ema (Velloziaceae) e sempre-vivas (Eriocaulaceae), mas outras famílias de destaquem incluem a do feijão (Fabaceae), quaresmeiras (Melastomataceae), ipês (Bignoniaceae), café (Rubiaceae), goiaba (Myrtaceae), girassóis (Asteraceae), mandioca (Euphorbiaceae) e arruda (Rutaceae).
Geograficamente, é possível notar o alto valor deste acervo para a flora da Cadeia do Espinhaço, com maior enfoque na Flora dos Campos Rupestres (abrangendo representates das vegetações serranas de Minas Gerais, Bahia, Goiás e Tocantins), e em especial da Serra do Cipó (MG).
Banco de Tecidos
O banco de tecidos concentra amostras de fragmentos foliares armazenados em sílica gel, que permite uma melhor conservação de seu material genético (DNA). Esses fragmentos são posteriormente utilizados em laboratório de biologia molecular para extrair DNA, que será comparado entre espécies para produzir filogenias que ajudarão a entender a história evolutiva da vida na Terra.
Laminoteca
É uma coleção de preparações anatômicas (lâminas histológicas ou palinológicas), que servem como um importante recurso para análises das células e tecidos vegetais. Com esse acervo é possível entender melhor a organização celular das plantas depositadas no Herbário, além de documentar seus grãos-de-pólen que só podem ser observados sob microscópio.
Carpoteca
É uma coleção de frutos e sementes que são armazenadas separadamente das exsicatas por serem muito delicadas ou muito volumosas para serem guardadas como tal. Este termo deriva do grego "carpo", que significa fruto, e "teca", que refere-se a um local de armazenamento. A carpoteca é de grande relevância para entender o processo reprodutivo e de dispersão de plantas, além de permitir melhor preservação de seus frutos e sementes.
Coleção Úmida
É uma coleção de frutos carnosos e/ou flores e outras partes deliciadas ou pequenas de plantas, que são armazenadas em álcool a fim de manter seu formato tridimensional e texturas mais próximas da planta viva. Cada amostra da coleção úmida possui uma exsicata associada na coleção geral do Herbário, e por isso são chamadas, em países de língua inglesa, de "spirit collection", devido a uma tradição que dizia que o álcool era capaz de conservar o espírito.
Curador: Prof. Dr. Gregório Cardoso Tápias Ceccantini
Essa coleção é composta por cerca de 9 mil amostras de madeiras de várias formas e tamanhos, desde cubos de 2cm x 2cm x 2cm até discos de árvores de 1,5m de diâmetro. Destaca-se a coleção destinada à dendrocronologia (estudo da idade de árvores), com centenas de amostras obtidas de modo não destrutivo, além de discos inteiros obtidos de árvores caídas na mata ou de extrações comerciais. Associada à xiloteca, há uma coleção de mais de 3 mil lâminas histológicas, que são produto e documentos dos trabalhos científicos produzidos nos últimos anos pelas equipes do IB.
Desde 2004, a xiloteca SPFw tem o nome de Nanuza Luiza de Menezes, em homenagem à esta Professora Emérita da USP, que deu início à coleção e difundiu o estudo da anatomia de madeira no Brasil todo desde os anos 1970. As principais coleções da xiloteca são de madeiras do estado de Mato Grosso e Minas Gerais, cipós de todos os grupos do Brasil, e madeiras comerciais da Amazônia, provenientes de doações do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT, xiloteca BCTw). Completam esse acervo dezenas de espécies de eucaliptos, madeiras da Nicarágua, da China e dos EUA, obtidas por permutas ou doações.
Curadora: Prof. Dra. Valéria Cassano
A ficologia é a parte da Botânica que se dedica ao estudo cientítico das algas. Uma coleção ficológica, por sua vez, documenta a diversidade de macroalgas marinhas. Pelo ambiente onde as algas ocorrem, um processo diferente de preparação é aplicado para a montagem destas exsicatas, que dispensam o uso de fitas adesivas, já que a mucilagem presente nas algas já fixam o material ao papel base da exsicata.
O acervo ficológico do Herbário SPF...
É a parte da coleção que contém os musgos e hepáticas. Nesta coleção, as amostras são acondicionadas em envelopes de papel feitos a partir dos próprios rótulos, que se tratam de plantas bastante diminutas.
Essas plantas dispensam o uso de estufa, porque possuem muito pouca água em seus tecidos, que também não são suscetíveis a contaminação por fungos e bactérias. O nome da coleção celebra o Dr. Kurt Günther Hell, professor do Departamento de Botânica que publicou em 1969 o estudo das briófitas talosas da cidade de São Paulo.
Além da representatividade botânica e geográfica do acervo do Herbário SPF, destacam-se também as coleções de Wilson Hoehne e de Aylthon Brandão Joly.
Wilson Hoehne era filho de Frederico Carlos Hoehne, fundador do Jardim Botânico de São Paulo e do Instituto de Botânica, criado junto a esse Jardim pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Mais tarde, já como professor da Faculdade de Farmácia da USP, Wilson Hoehne criou, em 1932, o herbário, composto fundamentalmente de amostras que ele próprio coletava em diversos bairros da cidade e em alguns municípios do interior paulista, sobretudo em Jales. A coleção elaborada por W. Hoehne e alguns colegas continha muitas plantas de interesse medicinal ou farmacológico, mas documentava também valiosos elementos de uma flora que foi desaparecendo com o rápido processo de urbanização da cidade. Há no acervo do SPF os testemunhos da vegetação nativa de campos, cerrados e matas que existiam em áreas como Cambuci, Congonhas, Vila Mariana e Avenida Paulista.
Aylthon Brandão Joly, por sua vez, foi um dos primeiros docentes do Departamento de Botânica da USP formado na própria escola, e pioneiro no estudo de algas marinhas brasileiras. Além de seus numerosos trabalhos com as algas, publicou em 1950 um amplo estudo fitogeográfico dos campos do Butantã, área onde estava sendo instalado o campus da USP. Com a transferência do herbário de W. Hoehne da Faculdade de Farmácia para este departamento do IB, passou a estar associado ao rico acervo de amostras de algas compilado por Joly e seus discípulos, tendo sido unificada a numeração dos registros que somavam então cerca de 16 mil.
Wilson Hoehne (acima) e Aylthon B. Joly (abaixo), botânicos importantes para a história do Herbário SPF.
Exemplos de exsicatas coletadas por W. Hoehne depositadas no SPF
Exemplos de exsicatas coletadas por A.B. Joly depositadas no SPF.
Goro Hashimoto foi um migrante japonês, nascido na cidade de Kakegawa, que chegou ao Brasil em 1934, motivado principalmente pelo seu interesse em plantas e pelo fascínio pela vegetação brasileira. Goro Hashimoto foi organizador do herbário de mesmo nome que era até o seu falecimento, em 2008, no Centro de Pesquisas de História Natural (CPHN), localizado no bairro Itaquera.
Em março de 2022 foi selado o acordo de doação da coleção Goro Hashimoto do CPHN ao Herbário SPF, e a transferência dos materiais perdurou até meados de 2024. Desde então, esse acervo tem sido processado no Herbário SPF e seus dados estão sendo disponibilizados online.
A riqueza do acervo Goro Hashimoto é atestada pelas mais de 300 famílias representadas nas cerca de 43 mil plantas coletadas, entre os quais se destacam os registros da extinta flora do Parque Nacional de Sete Quedas, inundado com a criação da Represa de Itaipu, além de diversos registros de áreas hoje completamente urbanizadas da cidade de São Paulo.
Saiba mais sobre a coleção Goro Hashimoto nas notícias e vídeos abaixo:
Fotografias de expedições realizadas por Goro Hashimoto em companhia de integrantes do CPHN
Vídeo institucional sobre a incorporação do acervo Goro Hashimoto